Durma melhor com quem entende do assunto.

Receba dicas de especialistas, novidades em equipamentos e conteúdos exclusivos do Mundo do Sono direto no seu e-mail.

    Comissão aprova criação de política de atenção aos distúrbios do sono no SUS

    Aprovada pela Comissão da Câmara, a política de atenção aos distúrbios do sono no SUS pode transformar o acesso ao tratamento gratuito de insônia, apneia e outros distúrbios.

    Você sabia que mais de 70% dos brasileiros têm algum sintoma relacionado a distúrbios do sono, mas a maioria não tem acesso ao diagnóstico ou tratamento adequado? E que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 40% da população mundial sofre com esse tipo de condição, que pode ir de insônia à apneia do sono, passando por paralisia do sono, bruxismo, sonambulismo e até síndromes raras?

    Apesar de tão comum, o cuidado com o sono ainda é negligenciado na saúde pública. Mas essa realidade pode estar prestes a mudar: a política nacional de atenção aos distúrbios do sono no SUS foi aprovada pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados. A proposta, criada a partir dos projetos de lei PL 3715/21 e PL 496/24, é um marco na forma como o Brasil reconhece, trata e previne os distúrbios do sono dentro do sistema público de saúde.

    Esse passo histórico busca garantir que mais pessoas tenham acesso gratuito a exames como a polissonografia, diagnóstico precoce, atendimento especializado e tratamento contínuo, algo antes concentrado apenas em grandes centros urbanos.

    Ao longo deste artigo, você vai entender em detalhes o que é essa nova política, quais são suas diretrizes, os próximos passos até sua aprovação final, além de conhecer cada distúrbio do sono abordado pelo projeto,  suas causas, sintomas, riscos e formas de tratamento. 

    O que é a política nacional de atenção aos distúrbios do sono no SUS?

    A política nacional de atenção aos distúrbios do sono no SUS é uma proposta legislativa que visa integrar, de forma oficial, o cuidado com o sono à rede pública de saúde.

    A medida foi aprovada pela Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados e agora segue para análise nas comissões de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

    Criada a partir da unificação dos Projetos de Lei 3715/21 e 496/24, a proposta representa um marco importante para a saúde pública no Brasil. O texto do relator, deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR), reconhece que os distúrbios do sono não são apenas um incômodo cotidiano, mas sim doenças que afetam diretamente o desempenho físico, emocional e cognitivo, além de estarem ligadas a problemas como hipertensão, obesidade, diabetes tipo 2 e até acidentes de trânsito e trabalho.

    Por que uma política pública sobre o sono é necessária?

    Atualmente, o diagnóstico e tratamento dos distúrbios do sono pelo SUS são limitados e concentrados em poucos centros especializados. Muitas pessoas convivem durante anos com sintomas como cansaço crônico, insônia ou roncos intensos sem saber que há tratamento, ou sem conseguir acesso a ele.

    Com essa política, a ideia é estabelecer uma linha de cuidado estruturada, com protocolos clínicos, treinamento de profissionais, acesso a exames e distribuição de dispositivos terapêuticos para pacientes com indicação médica.

    Além disso, a medida prevê a realização de campanhas educativas e coleta de dados sobre a prevalência dos distúrbios do sono no Brasil.

    Quais são as diretrizes da Política Nacional de Atenção aos Distúrbios do Sono no SUS?

    A proposta da nova política não se limita ao diagnóstico e ao tratamento. Ela traz um olhar mais abrangente e cuidadoso, estabelecendo diretrizes que visam transformar a forma como o Brasil lida com os distúrbios do sono, desde a base da informação até o acesso ao cuidado especializado.

    Veja o que está previsto:

    1. Conscientização da população sobre a importância do sono

    A primeira diretriz é promover programas de educação em saúde que ajudem a população a entender como o sono impacta diretamente a saúde física, mental e emocional. Isso inclui campanhas informativas, ações em escolas, unidades de saúde e até mesmo nas redes sociais, mostrando que dormir bem não é luxo, é uma necessidade básica para o bem-estar.

    2. Formação de profissionais de saúde preparados

    Outro pilar fundamental da política é a capacitação dos profissionais da saúde. O programa prevê diretrizes específicas para formação e qualificação de médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais no diagnóstico e tratamento das doenças do sono. Isso é essencial para que o cuidado chegue até a ponta, com mais precisão, acolhimento e resolutividade.

    3. Criação de centros de referência no SUS

    Para garantir que o acesso ao diagnóstico e tratamento não dependa de condições financeiras, a proposta prevê a criação de centros de referência públicos. Esses centros especializados terão estrutura e equipe preparados para atender pessoas com insônia, apneia do sono, narcolepsia e outros distúrbios. 

    A descentralização do atendimento é outro ganho importante, para que pessoas em diferentes regiões do país tenham acesso igualitário aos cuidados.

    4. Investimento em pesquisa e inovação

    Entender melhor os distúrbios do sono é um passo essencial para avançar no tratamento. Por isso, a política propõe o incentivo à produção científica nessa área. 

    A ideia é fomentar pesquisas, estudos clínicos e análises populacionais que possam indicar caminhos mais eficientes e acessíveis para a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento individualizado de cada paciente.

    5. Inclusão efetiva do tema na agenda do SUS

    Por fim, a política garante que os distúrbios do sono façam parte da agenda oficial do Sistema Único de Saúde. Isso significa que o cuidado com o sono deixará de ser negligenciado ou tratado como algo secundário, e passará a estar inserido nas diretrizes, protocolos e estratégias nacionais de saúde pública com orçamento, metas e indicadores de avaliação.

    A proposta segue agora para a Comissão de Saúde da Câmara. Caso aprovada, será analisada pelo Senado antes de se tornar lei.

    Distúrbios do sono que passam a ter assistência no SUS

    Com a criação da Política Nacional de Atenção aos Distúrbios do Sono, o SUS passa a contemplar uma gama mais ampla de condições relacionadas ao sono, garantindo não apenas o diagnóstico, mas também o acompanhamento e o tratamento dessas doenças. 

    A seguir, explicamos cada uma das condições incluídas na nova política, seus sintomas, causas, fatores de risco, formas de tratamento e possibilidades de prevenção.

    Insônia

    A insônia é caracterizada pela dificuldade em iniciar ou manter o sono, ou pela sensação de sono não reparador, mesmo após uma noite inteira na cama. Estima-se que cerca de 35% da população mundial sofra com esse distúrbio.

    Sintomas: dificuldade para dormir, despertar frequente, fadiga, irritabilidade e comprometimento da memória e da concentração.

    Causas: estresse, ansiedade, depressão, uso de substâncias (cafeína, nicotina, álcool), alterações hormonais, dor crônica e condições neurológicas.

    Fatores de risco: mulheres, pessoas com mais de 60 anos, indivíduos com transtornos psiquiátricos ou doenças crônicas.

    Tratamentos: terapia cognitivo-comportamental, mudanças nos hábitos de sono (higiene do sono), uso controlado de medicamentos.

    Prevenção: evitar estimulantes à noite, manter horários regulares, praticar atividades relaxantes antes de dormir.

    Apneia do sono

    A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio grave, marcado por paradas respiratórias durante o sono, que afetam a oxigenação e fragmentam o ciclo do sono. Estima-se que 33% dos adultos brasileiros podem ter apneia, sendo que muitos não sabem.

    homem com apneia do sono roncando

    Sintomas: ronco alto, engasgos noturnos, sonolência diurna, dores de cabeça ao acordar, dificuldade de concentração.

    Causas: obstrução parcial ou total das vias aéreas superiores, geralmente causada por flacidez muscular, obesidade ou alterações anatômicas.

    Fatores de risco: obesidade, sexo masculino, idade avançada, histórico familiar, uso de sedativos ou álcool.

    Tratamentos: uso de CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), perda de peso, cirurgia, dispositivos orais.

    Prevenção: manter o peso ideal, evitar álcool e sedativos, tratar rinite ou obstruções nasais.

    Sonolência excessiva diurna

    Refere-se à sensação constante de cansaço e sono ao longo do dia, mesmo após uma noite aparentemente adequada de sono.

    Sintomas: dificuldade de se manter acordado, cochilos frequentes e involuntários, baixa produtividade.

    Causas: apneia, insônia, uso de medicamentos, doenças neurológicas.

    Fatores de risco: distúrbios não tratados, má qualidade do sono, turnos irregulares de trabalho.

    Tratamentos: tratar a causa de base, ajustar hábitos de sono, medicações estimulantes (quando necessário).

    Prevenção: diagnóstico precoce de outros distúrbios, higiene do sono, alimentação e atividade física.

    Sonambulismo

    É um transtorno do despertar, em que a pessoa caminha ou realiza atividades enquanto ainda está dormindo.

    Sintomas: andar pela casa, abrir portas, mexer em objetos, com amnésia total do episódio ao acordar.

    Causas: fatores genéticos, privação de sono, estresse, febre ou uso de certos medicamentos.

    Fatores de risco: infância, histórico familiar, apneia do sono.

    Tratamentos: proteger o ambiente, evitar privação de sono, uso de medicamentos sedativos em casos graves.

    Prevenção: rotinas regulares, cochilos programados, evitar estímulos antes de dormir, tratar distúrbios relacionados.

    Síndrome das Pernas Inquietas

    Distúrbio do sono que causa desconforto e necessidade incontrolável de mover as pernas, principalmente à noite.

    Sintomas: formigamento, queimação, coceira ou dor nas pernas ao repousar.

    Causas: genética, deficiência de ferro, gravidez, doenças renais.

    Fatores de risco: idade, doenças crônicas, gestação.

    Tratamentos: suplementação de ferro (quando necessário), medicamentos dopaminérgicos, mudança no estilo de vida, prática regular de atividade física.

    Prevenção: evitar cafeína, fazer alongamentos, tratar deficiências nutricionais.

    Bruxismo do sono

    É o ato de ranger ou apertar os dentes durante o sono, muitas vezes inconscientemente.

    Sintomas: dores de cabeça, desgaste dental, dor mandibular, estalos na mandíbula.

    Causas: estresse, ansiedade, distúrbios respiratórios do sono.

    Fatores de risco: idade jovem, histórico familiar, uso de substâncias estimulantes.

    Tratamentos: placas interoclusais, fisioterapia, controle do estresse, psicoterapia.

    Prevenção: relaxamento antes de dormir, evitar estimulantes, acompanhamento odontológico.

    Narcolepsia

    Distúrbio neurológico crônico que causa sonolência excessiva e episódios súbitos de sono.

    Sintomas: ataques de sono repentinos, perda de tônus muscular (cataplexia), alucinações hipnagógicas, paralisia do sono.

    Causas: genética: disfunção na produção de hipocretina (neurotransmissor que regula o sono).

    Fatores de risco: histórico familiar, doenças autoimunes.

    Tratamentos: medicamentos estimulantes, antidepressivos, mudanças no estilo de vida.

    Prevenção: não há prevenção conhecida, mas o diagnóstico precoce ajuda a controlar os sintomas.

    Paralisia do sono

    Consiste na incapacidade de se mover ou falar ao despertar ou adormecer, apesar de estar consciente.

    Sintomas: sensação de estar “preso” no corpo, medo, alucinações visuais ou auditivas.

    Causas: privação de sono, estresse, distúrbios do sono como narcolepsia.

    Fatores de risco: jovens adultos, pessoas com insônia, histórico familiar.

    Tratamentos: terapia cognitivo-comportamental, melhora da qualidade do sono, tranquilização do paciente.

    Prevenção: manter regularidade do sono, reduzir estresse, evitar dormir de barriga para cima.

    Síndrome de Kleine-Levin

    Também conhecida como síndrome da Bela Adormecida, é uma condição rara marcada por episódios recorrentes de sonolência extrema.

    Sintomas: dormir 18 a 20 horas por dia, mudanças de comportamento, confusão, apetite excessivo, hipersexualidade.

    Causas: desconhecidas, mas há suspeita de origem neurológica ou autoimune.

    Fatores de risco: adolescentes do sexo masculino, histórico familiar.

    Tratamentos: acompanhamento neurológico e psiquiátrico, medicamentos para controle de sintomas.

    Prevenção: não há prevenção conhecida.

    Hipersonia idiopática

    Transtorno que provoca sonolência excessiva sem causa identificada.

    Sintomas: dificuldade para acordar, sonolência persistente, confusão ao despertar.

    Causas: ainda não totalmente compreendidas.

    Fatores de risco: geralmente inicia na adolescência ou início da vida adulta.

    Tratamentos: medicamentos estimulantes, manutenção de rotina de sono regular.

    Prevenção: não identificada, mas diagnóstico precoce ajuda no controle.

    Terror noturno

    Transtorno do despertar que provoca episódios de pânico intenso durante o sono profundo.

    Sintomas: gritos, agitação, confusão, dificuldade de despertar a pessoa.

    Causas: privação de sono, febre, estresse, predisposição genética.

    Fatores de risco: crianças, histórico familiar.

    Tratamentos: geralmente não necessita tratamento, exceto em casos recorrentes; medicação e terapia podem ser indicadas.

    Prevenção: manter rotina de sono regular, evitar estresse e privação de sono.

    Esses distúrbios, agora contemplados pelo SUS, representam um avanço importante para a saúde pública brasileira. O reconhecimento oficial dessas condições facilita o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento e, principalmente, a qualidade de vida das pessoas que convivem com problemas do sono.

    O que muda na vida da população com a nova política?

    Com a aprovação da política nacional de atenção aos distúrbios do sono, a expectativa é de democratização do acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Exames como a polissonografia  devem ser ampliados na rede pública. Além disso, dispositivos como o CPAP podem ser distribuídos com mais agilidade e em maior quantidade.

    Esse é um marco também para a inclusão de pacientes com distúrbios neurológicos raros ou não diagnosticados, que agora terão suporte especializado.

    Papel da CPAPS na qualidade do sono dos brasileiros

    A CPAPS é uma das maiores referências nacionais quando se fala em tratamento da apneia do sono, insônia e outros distúrbios relacionados. Atuando com produtos, informação qualificada e suporte ao paciente, a empresa se destaca pelos seguintes diferenciais:

    ✔️ Oferecemos uma linha completa de soluções para distúrbios do sono e controle ambiental, como purificadores de ar, umidificadores, travesseiros e capas antialérgicas, todos validados por padrões internacionais de qualidade.
    ✔️ Nossa equipe é composta por profissionais capacitados, especializados em orientar cada paciente na escolha da solução mais adequada para seu quadro de apneia.
    ✔️ Atuamos de forma integrada, não apenas fornecendo produtos, mas também educando, acolhendo e oferecendo suporte técnico contínuo, tanto para pacientes quanto para famílias.
    ✔️ Além disso, através do nosso Projeto CPAP Solidário, promovemos o acesso democrático a equipamentos de saúde respiratória, sempre alinhados às melhores práticas clínicas e científicas.

    Fale com a CPAPS:
    📞 0800 601 9922
    💬 WhatsApp: Clique aqui para acessar
    🌐 Acesse o Portal Mundo do Sono para se aprofundar em conteúdos, conhecer histórias reais e encontrar ajuda confiável para sua jornada com a apneia do sono.

    Fontes:
    Câmara dos Deputados

    National Library of Medicine
    Scielo

    Research Gate

    National Heart, Long and Blood Institute

    Wellness, Sleep and Circadian Network

    Journal of Clinical Sleep Medicine

    AAFP

    Avalie este post
    Compartilhe esse conteúdo

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *