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Apneia do sono em adolescentes afeta notas, humor e saúde. Saiba identificar os sinais, entender os riscos e conhecer os tratamentos disponíveis.

Você observa seu filho adolescente roncando alto toda noite? Ele acorda mal-humorado, tem dificuldade para se concentrar na escola e parece sempre cansado mesmo dormindo horas suficientes? Esses sinais, muitas vezes ignorados ou atribuídos à “fase difícil da adolescência”, podem ser sintomas de um problema de saúde sério: a apneia do sono em adolescentes.
Diferente do que muitos pais imaginam, a apneia do sono não é um distúrbio exclusivo de adultos com sobrepeso. Adolescentes também desenvolvem a condição, e os sinais raramente são óbvios. Na maioria dos casos, o jovem não para de respirar de forma dramática durante a noite.
O que acontece é mais silencioso e, por isso mesmo, mais perigoso: a respiração fica repetidamente obstruída, o sono é fragmentado, e o organismo em pleno desenvolvimento paga um preço alto por isso.
Estudos indicam que entre 1% e 5% dos adolescentes na população geral têm apneia do sono. Esse número sobe de forma expressiva entre jovens com sobrepeso ou obesidade, chegando entre 24% a 61% nesse grupo, segundo pesquisas publicadas no PubMed e na MDPI. No Brasil, onde cerca de 6,7% dos adolescentes são obesos, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, o cenário é ainda mais preocupante.
Neste artigo, você vai entender o que é a apneia do sono em adolescentes, por que ela se manifesta de forma diferente do que nos adultos, quais os impactos no rendimento escolar e na saúde mental, e o que pode ser feito para tratar o problema.
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio em que a respiração para ou fica parcialmente bloqueada durante o sono, em episódios repetidos ao longo da noite. Cada interrupção reduz o oxigênio no sangue e fragmenta o sono, impedindo que o organismo descanse e se recupere de verdade.

Em adultos, o sinal mais típico é a sonolência excessiva durante o dia. Em adolescentes, porém, o quadro costuma ser diferente: o cérebro jovem responde à privação de sono com irritabilidade, hiperatividade e dificuldade de concentração, não com cansaço clássico. É por isso que muitos jovens com apneia do sono são diagnosticados erroneamente com TDAH ou problemas comportamentais, antes que alguém investigue o sono.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) reconhece a apneia como um problema relevante na faixa pediátrica e orienta que todo pediatra pergunte ativamente sobre ronco e qualidade do sono nas consultas de rotina.
Na primeira infância, a causa mais comum da apneia do sono é a hipertrofia das amígdalas e das adenoides, que obstruem a passagem do ar. Na adolescência, o cenário muda: as amígdalas tendem a involuir com a puberdade, mas outros fatores ganham protagonismo.
Obesidade é o principal deles. O acúmulo de gordura ao redor da garganta reduz o espaço disponível para a passagem do ar. Uma revisão sistemática publicada no Journal of Pediatric Health Care mostrou que adolescentes obesos têm risco de quatro a cinco vezes maior de desenvolver apneia do sono em comparação com pares com peso normal.
A puberdade também influencia. A testosterona, que aumenta nos meninos durante esse período, favorece o relaxamento da musculatura da faringe durante o sono, o que contribui para obstruções. Isso explica por que, após a puberdade, meninos são mais afetados do que meninas, em proporção de aproximadamente 2 para 1.
Outros fatores de risco importantes incluem alterações no formato da mandíbula e do palato, rinite alérgica crônica, desvio de septo, histórico familiar de apneia (o risco triplica com parentes de primeiro grau afetados), síndromes genéticas como síndrome de Down e uso de álcool, tabaco ou medicamentos sedativos, substâncias que relaxam a musculatura da garganta e agravam obstruções.
Os sinais se dividem entre o que acontece durante a noite e o que aparece durante o dia. Saber identificar os dois é fundamental para que os pais consigam conectar os pontos.
O ronco alto e habitual é o sinal mais específico, especialmente quando ocorre três ou mais noites por semana, mesmo fora de resfriados. Se o ronco é audível de outro cômodo, vale investigar.
Pausas na respiração observadas por quem está por perto, seguidas de engasgos ou bufos, têm alta especificidade para apneia e devem ser levadas ao médico imediatamente. Outros sinais noturnos incluem respiração bucal, sono muito agitado com trocas de posição frequentes, sudorese intensa mesmo com temperatura normal, bruxismo (ranger de dentes) e enurese noturna, o chamado “xixi na cama”, que em adolescentes é fortemente associada à apneia e frequentemente subvalorizada.
Aqui está o ponto mais importante para os pais: os sintomas diurnos da apneia do sono em adolescentes raramente se parecem com “cansaço”. Eles se parecem com problemas de comportamento.
Irritabilidade intensa, oscilações de humor, impulsividade e agressividade são, muitas vezes, o primeiro sinal percebido pela família. A queda abrupta no rendimento escolar, o esquecimento de tarefas, a dificuldade de memorizar conteúdos e a lentidão para processar informações também são consequências diretas do sono fragmentado.
Pesquisas indicam que até 25% das crianças e adolescentes diagnosticados com TDAH podem ter apneia do sono subjacente, segundo a Associação Americana de Apneia do Sono. O problema é que as condutas são completamente diferentes: medicar o jovem por TDAH sem investigar o sono não resolve o distúrbio de base.
Outros sintomas diurnos que merecem atenção incluem dificuldade extrema para acordar pela manhã, cefaleia ao acordar, boca seca, sonolência em aulas do início da tarde, ansiedade e sintomas depressivos.
Em adolescentes que já dirigem, a apneia do sono representa um risco de segurança real: estudo publicado no Journal of Clinical Sleep Medicine (2023) mostrou que adolescentes com apneia têm habilidades de direção comprometidas em comparação com controles saudáveis.
Fisicamente, o adolescente pode apresentar a chamada “fácies de respirador bucal”: face longa, boca levemente aberta em repouso, olheiras persistentes e palato ogival (céu da boca em formato de arco alto e estreito).
Em casos mais graves, pode haver comprometimento do crescimento, já que o hormônio de crescimento é liberado principalmente durante o sono profundo, que a apneia fragmenta sistematicamente.
Este é o impacto que mais preocupa pais e professores, e que a ciência documenta com clareza.
Um estudo clássico de Beebe et al., publicado na revista Sleep, acompanhou 163 adolescentes entre 10 e 17 anos e mostrou que nenhum adolescente com apneia moderada ou grave tirava média “A”, e 30% tinham média “C” ou abaixo. A diferença representava aproximadamente meio conceito escolar em relação aos pares sem apneia.
Uma meta-análise publicada em 2016 avaliou o efeito da adenotonsilectomia (cirurgia para retirar amígdalas e adenoides) sobre funções cognitivas em crianças e adolescentes com apneia. Após a cirurgia, o QI médio subiu de 97,1 para 100,7 pontos, e o escore neuropsicológico geral melhorou de 101,5 para 108,8, diferenças estatisticamente significativas. Isso sugere que parte do que era interpretado como “capacidade cognitiva inferior” era, na verdade, efeito do sono ruim.
A saúde mental também é afetada de forma importante. Uma meta-análise recente publicada na Sleep Medicine Reviews (2024) encontrou prevalência de depressão de 28% entre crianças e adolescentes com apneia do sono, praticamente o dobro dos controles. Estudo coreano com 793 adolescentes mostrou que jovens de alto risco para apneia tinham mais ansiedade, pior autoestima e mais insônia do que o grupo de baixo risco.
Se seu filho mudou de comportamento, está mais fechado, irritado ou triste, e também ronca, vale considerar a apneia do sono como parte da investigação.
O padrão-ouro é a polissonografia, exame realizado em laboratório de sono que monitora ondas cerebrais, respiração, saturação de oxigênio, movimentos e frequência cardíaca durante uma noite completa de sono.
Para adolescentes, a AASM (Academia Americana de Medicina do Sono) recomenda que o exame seja feito em laboratório especializado, pois os testes domiciliares não têm precisão suficiente nessa faixa etária.
Um critério importante que diferencia o diagnóstico em adolescentes do diagnóstico em adultos é o Índice de Apneia-Hipopneia (IAH), que mede quantas vezes por hora a respiração é interrompida ou reduzida.
Em adultos, o corte para considerar o exame anormal é de 5 eventos por hora. Em adolescentes mais jovens, com critérios pediátricos, qualquer resultado acima de 1 evento por hora já é considerado anormal, o que reflete a maior vulnerabilidade do cérebro em desenvolvimento.
O processo diagnóstico começa, na prática, no pediatra ou no clínico geral. O profissional pode aplicar o Questionário de Sono Pediátrico (PSQ), um instrumento validado com 22 perguntas sobre sono, respiração e comportamento, além de avaliar crescimento, IMC e a condição das amígdalas. Se houver suspeita, o encaminhamento segue para otorrinolaringologista, pneumologista pediátrico ou médico do sono.
Uma dica prática: antes da consulta, grave um vídeo de 15 a 30 minutos do adolescente dormindo, com áudio. Esse material é de grande valor diagnóstico e pode poupar semanas de espera.
O tratamento depende da causa, da gravidade e das características físicas do jovem. Não existe uma abordagem única que sirva para todos.
Quando há hipertrofia das amígdalas e adenoides, a adenotonsilectomia é o tratamento de primeira linha. Em adolescentes sem obesidade, a cirurgia resolve o problema na maioria dos casos. Já em adolescentes obesos, estudos mostram que até 75% mantêm apneia residual após a cirurgia, sendo necessária reavaliação com nova polissonografia seis a doze semanas depois.
Para casos moderados a graves sem causa cirúrgica corrigível, o CPAP é o tratamento mais eficaz. O aparelho mantém a via aérea aberta durante o sono por meio de um fluxo contínuo de ar pressurizado.
O desafio nessa faixa etária é a adesão: pesquisas mostram que adolescentes usam o CPAP em média apenas 3 a 4 horas por noite, menos do que o recomendado. Estratégias como a escolha colaborativa da máscara, acompanhamento próximo por telemetria e o envolvimento da família ajudam a melhorar esse cenário. Quando bem utilizado, o CPAP melhora atenção e desempenho escolar de forma mensurável.
Para adolescentes com palato estreito, mandíbula recuada ou face longa, aparelhos de expansão rápida da maxila e aparelhos de avanço mandibular são opções eficazes. Uma meta-análise mostrou que a expansão rápida da maxila reduz o IAH em média 5,79 eventos por hora.
A janela ideal para esses tratamentos é antes da fusão das suturas do palato, geralmente até os 14 anos em meninas e 16 anos em meninos, o que torna o diagnóstico precoce ainda mais importante.
Em adolescentes obesos, a perda de peso é uma intervenção causal: cada redução de 10% no peso corporal corresponde a uma queda de 25% a 30% no IAH. Intervenções de estilo de vida com dieta e exercício físico devem sempre ser tentadas.
Em casos de obesidade grave, a cirurgia bariátrica mostrou reduzir o IAH médio de 43 para 11 eventos por hora, com remissão da apneia em 65% dos casos, segundo meta-análise com mais de 2.300 pacientes.
A Fundação Nacional do Sono recomenda que adolescentes durmam de 8 a 10 horas por noite. Além da quantidade, a qualidade importa: horários regulares, ausência de telas pelo menos uma hora antes de dormir, evitação de álcool e cigarro e controle de rinite alérgica com corticoide nasal são medidas que reduzem a carga de obstrução.
A terapia miofuncional orofacial, feita com fonoaudiólogo, tem evidência crescente como tratamento complementar para fortalecer a musculatura da via aérea.
A CPAPS, referência nacional em saúde do sono e qualidade respiratória, entende profundamente os desafios enfrentados por quem convive com a apneia do sono.
✔️ Oferecemos uma linha completa de soluções para distúrbios do sono e respiratórios.
✔️ Nossa equipe é composta por profissionais capacitados, especializados em orientar cada paciente na escolha da solução mais adequada para seu quadro de apneia.
✔️ Atuamos de forma integrada, não apenas fornecendo produtos, mas também educando, acolhendo e oferecendo suporte técnico contínuo, tanto para pacientes quanto para famílias.
✔️ Além disso, através do nosso Projeto CPAP Solidário, promovemos o acesso democrático a equipamentos de saúde respiratória, sempre alinhados às melhores práticas clínicas e científicas.
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