Anvisa suspendeu a melatonina: o que aconteceu e como se proteger

A Anvisa suspendeu a venda de melatonina sublingual por irregularidades. Entenda o que mudou e como usar o suplemento com segurança no Brasil.

Em março de 2026, a Anvisa suspendeu a melatonina sublingual de uma marca específica vendida no Brasil, e a notícia gerou dúvidas em quem usa o suplemento para dormir melhor. 

A medida chamou atenção porque a melatonina é um dos produtos mais procurados por pessoas com dificuldade para dormir, e muita gente ficou sem saber se pode continuar usando o suplemento com segurança.

O caso ganha ainda mais peso ao considerar o tamanho do problema no país. Levantamento do Vigitel, do Ministério da Saúde, mostra que 31,7% dos adultos que vivem nas capitais brasileiras relatam pelo menos um sintoma de insônia, com prevalência maior entre as mulheres. 

Não é à toa que a melatonina se tornou um dos suplementos mais buscados por quem quer dormir melhor, o que torna ainda mais importante entender os limites e os riscos por trás de cada produto vendido.

Neste artigo, você entende exatamente o que a Anvisa decidiu, quais são as regras atuais para a venda de melatonina no país e como reconhecer um produto regularizado antes de comprar.

Anvisa suspendeu a melatonina sublingual: entenda o que aconteceu

No início de março de 2026, a Anvisa determinou o recolhimento e a suspensão da comercialização da Melatonina Sublingual em Gotas sabor maracujá, fabricada pela Vita Be Cosméticos Ltda e comercializada pela marca Renova Be. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e vale para todos os lotes do produto em todo o território nacional.

anvisa suspendeu a melatonina

A proibição não se limita à venda. Ela também abrange a fabricação, a importação, a distribuição, a propaganda e o próprio uso do suplemento. Quem já tinha o produto em casa deve parar de usá-lo imediatamente.

Segundo a agência, dois problemas motivaram a decisão. O primeiro foi de composição: o item continha um ingrediente cuja segurança nunca havia sido avaliada para administração por via sublingual, forma em que a substância é absorvida diretamente pela mucosa embaixo da língua, sem passar antes pelo sistema digestivo. O segundo foi de propaganda: a Anvisa identificou alegações não autorizadas no material de divulgação do produto, como a promessa de regular o sono e prevenir a insônia.

É importante entender que a Anvisa suspendeu a melatonina de um fabricante específico, e não toda a categoria de suplementos à base do hormônio do sono. Os demais produtos de melatonina que seguem as normas sanitárias brasileiras continuam liberados para venda normalmente.

Regras atuais para a venda de melatonina no Brasil

A melatonina é vendida no país desde 2021 como suplemento alimentar, depois de a Anvisa aprovar seu uso por unanimidade. Essa classificação é importante porque define exatamente o que o produto pode e não pode prometer.

As regras principais são estas:

  • A venda é permitida exclusivamente para pessoas com 19 anos ou mais.
  • O consumo diário máximo autorizado é de 0,21 mg.
  • O produto deve trazer advertência de que não pode ser usado por gestantes, lactantes, crianças e pessoas em atividades que exigem atenção constante, como dirigir.
  • Pessoas com doenças pré-existentes ou que usam outros medicamentos precisam consultar um médico antes de consumir.

Esse limite de 0,21 mg por dia não foi definido ao acaso. Ele se aproxima da quantidade de melatonina que o corpo já recebe naturalmente pela alimentação, estimada em cerca de 0,15 mg diários em uma dieta regular. A dose é pensada para segurança, não para efeito terapêutico mais forte.

Vale reforçar que existem outras formas de melatonina no mercado, como as manipuladas em farmácia de manipulação com prescrição médica. Essas seguem regras diferentes das do suplemento alimentar vendido livremente em farmácias e lojas de produtos naturais.

Por que produtos de melatonina não podem prometer curar a insônia

Muita gente se pergunta por que rótulos de melatonina nunca dizem que o produto trata insônia ou regula o sono, mesmo sendo esse o motivo pelo qual a maioria das pessoas compra o suplemento. A resposta está na própria definição regulatória do produto.

melatonina

Suplemento alimentar é uma categoria da área de alimentos, não de medicamentos. Ele serve para complementar a dieta de pessoas saudáveis, nunca para tratar, curar ou prevenir doenças. Por isso, nenhuma alegação terapêutica pode aparecer na embalagem ou na propaganda, mesmo que exista alguma evidência científica sobre o efeito da substância no sono.

Foi justamente esse ponto que pesou na decisão da Anvisa sobre a melatonina sublingual da Vita Be. O material publicitário do produto fazia promessas que a categoria de suplemento alimentar não autoriza, como regulação do sono, prevenção da insônia e equilíbrio do corpo. Quando uma marca extrapola esse limite, a fiscalização entende que o consumidor está sendo enganado sobre o real potencial do produto.

Como identificar um produto de melatonina regularizado

Depois de um caso como esse, é natural querer conferir se o produto que você usa está dentro das normas. Alguns pontos ajudam nessa verificação.

Primeiro, confira se o rótulo apresenta claramente a categoria “suplemento alimentar” e não sugere uso medicinal. Segundo, veja se a dose diária recomendada respeita o limite de 0,21 mg. Terceiro, procure a advertência obrigatória sobre contraindicações para gestantes, lactantes, crianças e pessoas em atividades que exigem atenção constante.

Também vale desconfiar de embalagens que prometem resultados rápidos e certeiros para dormir, do tipo “acabe com a insônia” ou “durma em minutos”. Esse tipo de linguagem foge do que é permitido para um suplemento alimentar e é um sinal de alerta.

Por fim, comprar em farmácias e canais de venda estabelecidos reduz o risco de adquirir produtos irregulares ou falsificados. Sempre que a Anvisa identifica uma irregularidade, ela publica a decisão no Diário Oficial da União e costuma divulgar o alerta no próprio site da agência, o que permite conferir se algum produto específico já foi alvo de suspensão.

Casos como o de março de 2026, em que a Anvisa suspendeu a melatonina de um fabricante por composição irregular e propaganda enganosa, reforçam a importância desse hábito de verificação. Não se trata de motivo para abandonar o suplemento, e sim de um alerta para escolher com mais critério.

Vale lembrar também que a fiscalização de suplementos alimentares no Brasil é contínua. A própria Anvisa reforça que empresas precisam comprovar a segurança dos ingredientes utilizados, principalmente quando envolvem formas de administração diferenciadas, como a via sublingual usada em gotas e sprays.

Quando a melatonina realmente ajuda e quando buscar avaliação médica

A melatonina pode ser uma aliada em situações pontuais, como o ajuste do relógio biológico depois de uma viagem longa com mudança de fuso horário, ou em pessoas que trabalham em turnos alternados e precisam reorganizar o horário de dormir. 

Ela também costuma ser mencionada em casos leves de dificuldade para pegar no sono, sempre respeitando a dose e a idade mínima recomendadas.

O problema aparece quando o suplemento vira uma solução usada por conta própria, de forma contínua, para lidar com uma insônia que não passa. Nesses casos, a melatonina não resolve a causa do problema, apenas mascara o sintoma por um tempo. Se a dificuldade para dormir persiste por semanas, vem acompanhada de cansaço extremo durante o dia, ronco alto, pausas na respiração durante a noite ou outros sinais de alerta, o caminho mais seguro é buscar avaliação médica.

Um profissional de saúde do sono consegue investigar se existe uma causa por trás da insônia, como ansiedade, apneia do sono ou hábitos de rotina que precisam ser ajustados, e indicar o tratamento mais adequado para cada caso. Suplemento nenhum substitui esse diagnóstico.

Essa investigação é ainda mais relevante diante do tamanho do problema no Brasil. Estudo da Fiocruz aponta que cerca de 72% dos brasileiros convivem com algum tipo de alteração no sono, sendo a apneia obstrutiva, a insônia crônica e a síndrome das pernas inquietas as condições mais comuns. 

Diante de números como esses, faz sentido que cada vez mais pessoas procurem suplementos como a melatonina por conta própria. O ponto de atenção é não deixar esse hábito substituir uma avaliação médica quando o problema persiste.

Sinais como ronco alto, engasgos durante o sono, pausas na respiração percebidas por quem dorme ao lado e sonolência excessiva durante o dia merecem investigação específica, já que podem indicar apneia do sono, uma condição que não se resolve com suplementos e que tem tratamento próprio, com acompanhamento especializado.

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