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Você já ouviu falar de um novo remédio para insônia que está prestes a desembarcar no país por meio de uma parceria entre uma farmacêutica brasileira e uma biofarmacêutica suíça?
O daridorexanto, vendido internacionalmente como Quviviq, representa mais um passo na busca por um tratamento moderno para insônia que não dependa dos riscos associados aos remédios tradicionais.
A insônia é um dos distúrbios do sono mais comuns no Brasil. Pesquisas recentes da Associação Brasileira do Sono apontam que cerca de 73 milhões de brasileiros convivem com algum grau de dificuldade para dormir, e levantamentos sobre capitais brasileiras mostram que quase um terço dos adultos relata pelo menos um sintoma de insônia, com prevalência maior entre as mulheres.
Diante desse cenário, a chegada de opções farmacológicas com mecanismos de ação diferentes dos hipnóticos clássicos desperta interesse tanto de pacientes quanto de profissionais da saúde do sono.
Neste texto, você vai entender por que os remédios tradicionais estão perdendo espaço, como funciona essa nova geração de medicamentos, o que dizem os estudos sobre eficácia e segurança e qual é a real situação de disponibilidade desse novo remédio para insônia no Brasil.
Por décadas, o tratamento farmacológico da insônia girou em torno de duas famílias principais: os benzodiazepínicos e as chamadas drogas Z, como o zolpidem e a zopiclona.
Os benzodiazepínicos se consolidaram como uma das classes mais prescritas para distúrbios do sono desde a década de 1960. Já as drogas Z surgiram nos anos 1980 com a promessa de maior seletividade e menos efeitos colaterais.
Na prática, porém, ambas as classes atuam de forma parecida: estimulam o neurotransmissor GABA, promovendo uma redução generalizada da atividade do sistema nervoso central. Esse mecanismo ajuda a induzir o sono, mas também traz consequências importantes.
Entre os riscos mais discutidos por especialistas estão:
Por essas razões, diretrizes médicas brasileiras e internacionais recomendam que o uso desses medicamentos seja feito com cautela, preferencialmente por curtos períodos e sob supervisão médica constante. Foi justamente esse cenário de limitações que abriu caminho para uma nova geração de tratamentos.

O grande diferencial do novo remédio para insônia que está sendo avaliado pela Anvisa está no mecanismo de ação. Diferente dos benzodiazepínicos e das drogas Z, o daridorexanto pertence à classe dos antagonistas duplos dos receptores de orexina, conhecidos pela sigla DORA.
A orexina, também chamada de hipocretina, é um neurotransmissor cerebral responsável por manter o estado de vigília. Em vez de sedar o cérebro de forma ampla, como fazem os hipnóticos clássicos, o daridorexanto bloqueia especificamente os sinais que mantêm a pessoa acordada.
Na prática, isso significa um caminho mais fisiológico até o sono. O cérebro não é “desligado” à força; ele deixa de receber os estímulos que o mantêm em alerta, permitindo que o sono aconteça de maneira mais próxima do processo natural.
Esse é o motivo pelo qual o daridorexanto vem sendo descrito como um possível remédio para insônia sem benzodiazepínico, uma alternativa pensada para quem busca eficácia com um perfil de segurança diferente dos tratamentos convencionais.
Vale lembrar que o daridorexanto não é o único representante dessa classe. O lemborexante, outro antagonista de orexina, já foi aprovado pela Anvisa em 2025 e segue seu próprio processo de precificação no país. O daridorexanto chega como uma segunda opção dentro dessa mesma frente terapêutica, ampliando o leque de escolhas para médicos e pacientes.
Ensaios clínicos internacionais, incluindo dados publicados na revista científica The Lancet Neurology, indicam melhora significativa no início e na manutenção do sono entre pacientes que usaram esse tipo de medicamento, quando comparados a placebo. Os estudos também apontam ganhos relacionados ao funcionamento diurno, ou seja, a forma como a pessoa se sente e rende ao longo do dia após uma noite de sono tratada.
Esse ponto é importante porque diferencia esse novo remédio para insônia dos hipnóticos tradicionais em um aspecto central: a insônia deixa de ser tratada apenas como um problema noturno e passa a ser abordada como uma condição que afeta as 24 horas do dia, incluindo disposição, concentração e humor.
Quanto à segurança, os antagonistas de orexina têm demonstrado, nos estudos disponíveis até aqui, menor associação com fenômenos como amnésia do sono e comportamentos automáticos durante a noite, situações relatadas com mais frequência entre usuários de drogas Z.
Ainda assim, como qualquer medicamento relativamente novo, os antagonistas de orexina exigem acompanhamento cuidadoso, já que o histórico de uso em larga escala na população brasileira ainda está em construção.
Efeitos colaterais possíveis incluem sonolência residual, dor de cabeça e, em alguns casos, alterações do estado de alerta no início do tratamento. Por isso, a indicação e o acompanhamento devem ser feitos exclusivamente por um médico especialista em sono, neurologia ou psiquiatria.
Diferente do lemborexante, que já percorreu boa parte do caminho regulatório no país, o daridorexanto ainda está em fase de avaliação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A farmacêutica brasileira EMS, tradicionalmente conhecida pelo zolpidem comercializado sob a marca Patz, firmou uma parceria de licenciamento e fornecimento com a suíça Idorsia, detentora da molécula, para trazer o daridorexanto ao Brasil e a outros mercados da América Latina. O pedido de registro foi protocolado junto à Anvisa como petição ordinária no fim de dezembro de 2025.
Isso significa que o processo não está em regime de prioridade, o que costuma alongar os prazos de análise. Segundo estimativas divulgadas pela própria Anvisa, o prazo legal para conclusão da avaliação pode se estender até o final de 2026 ou início de 2027, dependendo da necessidade de esclarecimentos adicionais junto à empresa.
Enquanto o registro não é concluído, ainda não há definição sobre preço, forma de comercialização ou data exata de lançamento nas farmácias brasileiras.
A expectativa da indústria farmacêutica é que esse tipo de medicamento para dormir em 2026 comece a ganhar tração no mercado nacional nos próximos meses, acompanhando o movimento já observado em países como Estados Unidos, Japão e nações da Europa, onde o daridorexanto já está disponível há mais tempo.
Para quem convive com insônia hoje, o recado é claro: vale acompanhar as novidades regulatórias, mas a decisão sobre iniciar qualquer tratamento farmacológico, seja com essa nova classe, seja com opções já disponíveis, deve sempre passar por avaliação médica individualizada.
Mesmo com o entusiasmo em torno desse novo remédio para insônia, é importante reforçar um ponto central defendido por diretrizes médicas no Brasil e no mundo: a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia, a TCC-I, segue sendo a primeira linha de tratamento recomendada para a maioria dos casos.

Isso acontece porque a TCC-I atua diretamente sobre os fatores que mantêm a insônia ao longo do tempo, como pensamentos disfuncionais sobre o sono, hábitos que atrapalham o descanso e padrões de comportamento que reforçam o problema noite após noite. Diferente dos medicamentos, seus efeitos tendem a se manter mesmo depois do fim do acompanhamento.
Os antagonistas de orexina, incluindo o daridorexanto, não chegam para substituir essa abordagem. Eles surgem como complemento em situações específicas, por exemplo, quando a resposta à terapia comportamental isolada não é suficiente, quando há necessidade de alívio mais rápido dos sintomas, ou quando o perfil clínico do paciente indica benefício adicional com o uso de medicação.
Na prática clínica, o cenário ideal costuma combinar as duas frentes: mudanças de hábito e reestruturação de pensamentos disfuncionais sustentadas pela TCC-I, com apoio farmacológico pontual quando necessário, sempre sob orientação de um profissional de saúde do sono.
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