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Cirurgia para apneia do sono: conheça os tipos, quando é indicada, taxas de sucesso e o que esperar de cada procedimento antes de decidir.

A apneia do sono é um distúrbio sério — e, para a grande maioria das pessoas, o tratamento começa pelo CPAP, o aparelho que mantém as vias aéreas abertas com pressão contínua de ar durante a noite. Ele é eficaz, seguro e bem estabelecido pela medicina do sono. Mas nem todo mundo consegue se adaptar ao aparelho. E, em alguns casos, a causa da apneia é anatômica: uma mandíbula retraída, amígdalas hipertrofiadas, septo desviado ou excesso de tecido mole na garganta.
É aí que a cirurgia para apneia do sono entra em cena.
O tratamento cirúrgico da apneia do sono não é a primeira opção — e também não é indicado para todos. Mas, para o paciente certo, ele pode ser a solução que muda completamente a qualidade de vida noturna e diurna.
Neste artigo, você vai entender quando a cirurgia é indicada, quais são os principais tipos de procedimentos disponíveis, o que esperar de cada um e quais são as limitações reais que você precisa conhecer antes de tomar qualquer decisão.
Antes de falar sobre os tipos de cirurgia, é preciso deixar um ponto muito claro: o tratamento cirúrgico para apneia do sono é sempre uma segunda linha de abordagem.
A primeira linha — recomendada pelas diretrizes da American Academy of Sleep Medicine e da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia — inclui mudanças de estilo de vida (perda de peso, redução de álcool, posicionamento durante o sono), uso de aparelho intraoral, fonoterapia e o uso do CPAP para casos moderados e graves.
A cirurgia é considerada quando:
Segundo um estudo publicado no SciELO Brasil pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, em torno de 44,8% dos pacientes avaliados em ambulatório especializado em apneia receberam alguma indicação cirúrgica. Isso mostra que a cirurgia é uma alternativa real e frequente — mas nunca indiscriminada.
O ponto de partida é sempre o diagnóstico pela polissonografia, que determina a gravidade da apneia e o Índice de Apneias e Hipopneias (IAH). Mas o IAH sozinho não define a indicação cirúrgica.
O especialista avalia também:
A anatomia das vias aéreas superiores. Por meio de exame físico detalhado, nasofibroscopia (exame endoscópico do nariz e garganta) e, em alguns casos, endoscopia do sono induzida por drogas (um exame que simula o sono para visualizar o local exato onde a via aérea colapsa), o médico identifica se há obstrução anatômica tratável cirurgicamente.
O perfil do paciente. Obesidade grave, apneia central predominante, ausência de alvo anatômico claro ou condições clínicas que elevam os riscos cirúrgicos são fatores que contraindicam a cirurgia. Resultados mais previsíveis ocorrem em pacientes com peso mais controlado e com obstrução anatômica definida.
As cirurgias para apneia do sono atuam em diferentes regiões das vias aéreas superiores, dependendo de onde está a obstrução. Entender cada uma delas ajuda a ter expectativas reais sobre resultados e recuperação.
Já foi uma das cirurgias mais frequentemente realizadas para apneia e ronco e vem sendo substituída pela faringoplastia. O procedimento remove ou remodela tecidos moles da região posterior da boca e da garganta — isso inclui o palato mole, a úvula (aquele apêndice que fica no fundo da garganta) e, quando presentes, as amígdalas. O objetivo é ampliar o espaço aéreo nessa região e reduzir a vibração dos tecidos que causa o ronco e o colapso das vias aéreas.
A UPFP é mais indicada para casos leves a moderados de apneia em que a obstrução ocorre principalmente no nível do palato. Em casos graves, costuma ser insuficiente sozinha e pode ser combinada com outros procedimentos.
Um ponto importante: a cirurgia não elimina a necessidade do CPAP em todos os casos. Para muitos pacientes, ela melhora significativamente os sintomas ou reduz a pressão necessária no aparelho — mas o acompanhamento médico e uma nova polissonografia pós-operatória são sempre necessários.
A remoção das amígdalas (amigdalectomia) e das adenoides (adenoidectomia) é o procedimento cirúrgico mais eficaz para crianças com apneia do sono, especialmente quando a hipertrofia dessas estruturas é a principal causa da obstrução.

Em adultos com amígdalas significativamente aumentadas, a amigdalectomia também pode ser indicada e apresenta bons resultados. É uma cirurgia relativamente simples, realizada sob anestesia geral, com duração média de 30 minutos a 1 hora.
Em crianças com apneia moderada a grave causada por amígdalas e adenoides hipertrofiadas, a cirurgia pode, em muitos casos, resolver completamente o problema.
O desvio de septo nasal e outras obstruções nasais (como hipertrofia de cornetos ou pólipos nasais) não causam apneia diretamente, mas contribuem para o problema ao aumentar a resistência ao fluxo de ar e forçar a respiração bucal. Isso piora a qualidade do sono, reduz a tolerância ao CPAP e agrava o ronco.
A septoplastia corrige o desvio do septo nasal, restaurando o fluxo de ar pelas vias nasais. A turbinectomia, que reduz o tamanho dos cornetos nasais, pode ser feita simultaneamente.
Essas cirurgias raramente resolvem a apneia por conta própria — mas são importantes para melhorar a eficácia de outros tratamentos e a tolerância ao CPAP. Quando associadas a outros procedimentos, contribuem para um resultado global mais completo.
A radiofrequência é uma abordagem menos invasiva que usa energia térmica para reduzir e enrijecer tecidos moles na língua, palato ou cornetos nasais. Como o tecido é tratado, ele cicatriza de forma retraída, ocupando menos espaço nas vias aéreas.
É uma opção com menor período de recuperação e menor risco em comparação com cirurgias abertas, indicada principalmente para casos leves a moderados e para pacientes com ronco sem apneia grave. Pode ser realizada em consultório ou ambulatório, sob anestesia local.
Os resultados são variáveis — é um procedimento que costuma melhorar o ronco e sintomas mais leves, mas raramente resolve apneias moderadas ou graves de forma isolada.
O avanço maxilomandibular é considerado o procedimento cirúrgico com a maior taxa de sucesso no tratamento da apneia obstrutiva do sono — podendo chegar a mais de 90% de melhora clínica, segundo especialistas da área.
O procedimento reposiciona cirurgicamente a maxila e a mandíbula para frente, o que amplia de forma permanente todo o espaço das vias aéreas superiores: palato, base da língua e faringe. Ao mover os ossos, toda a musculatura da região acompanha o movimento, mantendo as vias aéreas estruturalmente mais abertas durante o sono.
Estudos publicados entre 2021 e 2024 nas bases PubMed e SciELO demonstram que o avanço maxilomandibular promove redução significativa do IAH, melhora da saturação de oxigênio, redução da sonolência diurna e melhora funcional e psicossocial dos pacientes operados.
Essa cirurgia é indicada para casos em que os paciente apresenta alterações esqueléticas identificáveis na face — mandíbula retraída, deficiência maxilar ou espaço aéreo faríngeo reduzido por fatores ósseos.
Por ser uma cirurgia maior, exige planejamento ortodôntico pré-operatório em muitos casos, anestesia geral e um período de recuperação mais longo — geralmente entre duas e seis semanas, com restrição alimentar temporária. Mas para o paciente com o perfil certo, os resultados podem ser definitivos e transformadores.
Em casos em que a obstrução ocorre principalmente na base da língua — uma das causas mais comuns de apneia que não responde bem às cirurgias de palato —, a cirurgia de redução da base de língua pode ser indicada.
A abordagem robótica, realizada com o sistema Da Vinci, tem ganhado espaço nos últimos anos por oferecer visualização tridimensional em alta definição e instrumentos com movimentos mais precisos do que a cirurgia convencional. Isso permite maior acesso às regiões mais profundas da orofaringe com menor risco de lesão a estruturas adjacentes.
A recuperação exige cuidados específicos, com dor moderada e desconforto ao engolir nos primeiros dias. A maioria dos pacientes retorna às atividades habituais em 10 a 15 dias.
Essa é a abordagem mais recente e inovadora no arsenal cirúrgico para apneia do sono — e representa uma virada na forma de tratar pacientes que não toleram o CPAP.
O nervo hipoglosso controla os movimentos da língua e de alguns músculos da garganta. Em certos pacientes com apneia, há um déficit nos reflexos que normalmente mantêm a via aérea aberta durante o sono, associado à flacidez muscular. A estimulação do nervo hipoglosso age exatamente sobre esse mecanismo.
O procedimento implanta um conjunto de eletrodos ao redor do nervo hipoglosso — funciona como um marcapasso para a língua. Durante o sono, o dispositivo detecta os padrões respiratórios e envia pulsos elétricos suaves que estimulam a contração muscular da língua, impedindo que ela caia para trás e obstrua a via aérea.
Um estudo clínico publicado no New England Journal of Medicine demonstrou que a estimulação das vias aéreas superiores reduziu de forma significativa o IAH dos pacientes — de cerca de 29 para 9 eventos por hora, uma redução de 68 a 70% nos episódios de apneia.
A indicação é criteriosa: adultos com apneia moderada a grave (IAH tipicamente entre 20 e 50 eventos/hora) que não toleram o CPAP, com índice de massa corporal geralmente abaixo de 32 a 35 kg/m², e sem o padrão de colapso concêntrico completo da via aérea — identificado pela endoscopia do sono.
No Brasil, o procedimento ainda está em processo de aprovação pela ANVISA para uso rotineiro. Nos Estados Unidos e em países da Europa, já é realizado amplamente, com resultados clínicos consistentes e melhora expressiva na qualidade de vida dos pacientes.
Uma expectativa realista é fundamental para quem cogita a cirurgia. O objetivo principal é reduzir o IAH a níveis seguros, melhorar a oxigenação noturna, restaurar a arquitetura do sono e diminuir a sonolência diurna. Em muitos casos, isso é alcançado.
Mas a cirurgia não é a palavra final. A via aérea continua respondendo a fatores como ganho de peso, uso de álcool, rinite e envelhecimento. Um paciente que se opera e depois ganha muito peso pode ter os sintomas retornar. Por isso, o acompanhamento médico continua sendo necessário mesmo após uma cirurgia bem-sucedida.
Em alguns casos, a cirurgia reduz — mas não elimina — a necessidade do CPAP. O resultado mais comum não é “não precisarei mais de nada”, mas sim “o CPAP ficou mais tolerável” ou “meus sintomas reduziram bastante”. E isso já representa uma melhora enorme na qualidade de vida.
Como qualquer procedimento cirúrgico, as cirurgias para apneia têm riscos. Os mais comuns incluem:
Por isso, a escolha do médico, a avaliação pré-operatória criteriosa e uma conversa franca sobre expectativas e riscos são partes essenciais do processo.
O tratamento cirúrgico da apneia do sono é conduzido principalmente por otorrinolaringologistas com especialização em medicina do sono. Em casos de cirurgia ortognática (avanço maxilomandibular), o procedimento é realizado em conjunto com um cirurgião bucomaxilofacial.
O ponto de partida, em qualquer cenário, é a consulta com um especialista em sono, o qual irá solicitar a polissonografia, avaliar o quadro clínico completo e indicar o melhor caminho para o seu caso específico.
A CPAPS, referência nacional em saúde do sono e qualidade respiratória, entende profundamente os desafios enfrentados por quem convive com a apneia do sono.
✔️ Oferecemos uma linha completa de soluções para distúrbios do sono e respiratórios.
✔️ Nossa equipe é composta por profissionais capacitados, especializados em orientar cada paciente na escolha da solução mais adequada para seu quadro de apneia.
✔️ Atuamos de forma integrada, não apenas fornecendo produtos, mas também educando, acolhendo e oferecendo suporte técnico contínuo, tanto para pacientes quanto para famílias.
✔️ Além disso, através do nosso Projeto CPAP Solidário, promovemos o acesso democrático a equipamentos de saúde respiratória, sempre alinhados às melhores práticas clínicas e científicas.
Fale com a CPAPS: 📞 0800 601 9922
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