Respiração de Cheyne-Stokes

Respiração de Cheyne-Stokes é um padrão de respiração central em que a amplitude cresce e diminui em ciclos, intercalados com apneias ou hipopneias centrais. É comum na insuficiência cardíaca.

O padrão recebe o nome dos médicos John Cheyne e William Stokes, que o descreveram no século XIX. A respiração aumenta de amplitude aos poucos, chega ao pico e diminui até uma pausa, e o ciclo se repete. A garganta continua aberta: o cérebro reduz ou interrompe o comando para respirar, por isso os eventos são classificados como de apneia central do sono.

Como é identificada

O diagnóstico é feito na polissonografia. Pelo manual de pontuação da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM), o padrão é pontuado quando há pelo menos três apneias ou hipopneias centrais seguidas, separadas por respiração em crescendo e decrescendo, com ciclo de 40 segundos ou mais, e ao menos cinco eventos centrais por hora de sono.

A respiração de Cheyne-Stokes aparece principalmente em pessoas com insuficiência cardíaca e depois de acidente vascular cerebral. Ela provoca despertares, sono fragmentado e sonolência durante o dia. O post sobre apneia do sono e respiração de Cheyne-Stokes traz mais detalhes sobre a relação entre os dois quadros.

Tratamento

O primeiro passo é tratar a doença de base, em especial a insuficiência cardíaca. O CPAP e a servoventilação adaptativa (ASV), aparelho que ajusta o suporte a cada respiração, são opções avaliadas pelo médico do sono junto com o cardiologista. O estudo SERVE-HF, publicado em 2015, encontrou aumento de mortalidade com ASV em pacientes com insuficiência cardíaca e fração de ejeção de 45% ou menos, e desde então a servoventilação não é indicada nesse grupo.

Fonte: American Academy of Sleep Medicine, AASM Manual for the Scoring of Sleep and Associated Events. Cowie MR e colaboradores, estudo SERVE-HF, New England Journal of Medicine, 2015.